22 janeiro 2011

Já tomou a sua pílula da felicidade hoje? Cuidado!!!

Apesar de conhecer esse “descaminho para ser feliz”, fiquei chocado com a matéria publicada na Folha online sobre o uso do Rivotril – “Rivs” para os íntimos da medicação. Vale à pena ler e saber da pesquisa que eles encomendaram sobre o assunto.

É um absurdo que um ansiolítico – entre outras capacidades que possui – seja um dos remédios mais vendidos no Brasil. E ele é tarja preta! Só perde para os anticoncepcionais – menos mal. E tem também os antidepressivos – conhecido como a pílula da felicidade – estão logo atrás e nesse caso não somente no Brasil, mas em todo o mundo.

Em pleno século 21, onde se valoriza e se busca o bem estar físico e mental por meio de ações como uma boa alimentação – nem que seja comendo ração – exercícios físicos, meditação, relaxamento, bons relacionamentos. Onde a OMS ressalta que a saúde deve ter como base o bem estar físico, mental, social e espiritual, ainda nos deparamos com atitudes escapistas como esta.

Claro que há casos da real necessidade na utilização de tais medicamentos, por uma deficiência química no organismo. A depressão, por exemplo, se caracteriza por uma deficiência química nos neurotransmissores, alterando as emoções e algumas capacidades mentais. O medicamento age equilibrando o organismo. Mas como estamos vendo hoje, com o uso indiscriminado, isso parece ter fugido do controle sanitário. Os antidepressivos estão sendo usados não apenas para tratar da depressão grave. A gama é maior: timidez, enxaquecas, TPM, TAG, TOC, dores crônicas, bulimias, anorexias, compulsões sexuais, regimes de emagrecimento, e por aí desanda...

Quem não conhece em seu meio, pessoas que  empregam algum medicamento com esta finalidade? Quem, em um momento de tristeza, decepção, angústia, já não foi “medicado” por um (a) amigo (a) para fazer uso dessas substâncias “milagrosas” - ou mesmo se utilizou de um qualquer –, que nos trariam o bem estar e a felicidade em horas ou dias? É muito mais prático se utilizar desses medicamentos, a ter que passar por uma psicoterapia, visando entender a crise que se movimenta; realizar mudanças morais, de valores; assumir a responsabilidade na vida. Isso, porém, demanda tempo e ações comportamentais e emocionais, e ao que parece, a maioria não se predispõe a isso. Buscar um psiquiatra e aliar a psicoterapia é um caminho seguro a ser seguido.

O uso contínuo – e indiscriminado – dessas substâncias pode trazer possíveis alterações – e profundas – na personalidade do indivíduo, tanto quanto na sua estrutura cerebral. Há quem não “consiga” viver sem seu “remedinho”. Sabe o nome que se dá a isso? Dependência química. Isso mesmo!!! A mesma que sofrem os dependentes de álcool, crack, cocaína e outros. Não há nada de diferente. Quimicamente falando, não há diferença entre ser um viciado em crack e ser viciado em falar mal da vida dos outros, por exemplo.

Creio!!!! E creio fortemente, que prá lá da maioria, as pessoas não precisariam tomar essas drogas. Não há necessidade física, mas sim, psíquica emocional, ou seja, estão passando por momentos de tristeza, pela perda física de alguém que gostam; romperam algum relacionamento amoroso, perderam o emprego; se desiludiram com algo – perceba que a vida tá “empurrando” a enxergarem outros caminhos, e elas resistem – tiveram outro tipo de decepção e passam por momentos de angústias, tristeza, onde deveriam se adaptar e seguir.

Felicidade é algo que não se compra, não se doa, e principalmente não se ingere!!!
Isso não é e nunca será felicidade. Isso é fuga!!! Falta de amorpróprio, de autoestima, de autoconfiança. A pessoa está com uma autoimagem distorcida, sem autonomia. Isso é viver dentro de uma mentira. A vida vira uma fraude!!! Com os “remedinhos”, passam-se anos de forma “passiva”, “alegre”, “calma”, onde tudo está bem “graças a Deus”. O mundo está despencando, mas ela continua ali, irretocável, inatingível e “feliz”. Ou melhor, ela esta anestesiada, alienada em suas emoções e sentimentos, enquanto o remédio é efetivo.

Por mais que fisicamente sinta-se bem enquanto anestesiada pela medicação, pois os ânimos estão alterados, vive-se em um mundo de fantasia, ilusão e limitação. Não há liberdade, realismo. Essa não é a pessoa, esse não é o mundo em que ela vive!!! Ocorre um “comodismo” que a afasta de si mesma!!! O “bem estar” ocorre, mas o problema continua ali, como um espinho a castigar a caminhada. Esquecê-lo à custa de medicação não significa solucioná-lo, transpô-lo, curá-lo.

Uma das premissas essenciais para sermos felizes é aprendermos a controlar e educar nossas emoções e sentimentos – veja post de Novembro/2009, Gerencie suas emoções – e não se obtém um resultado quantitativo e qualitativo às custas de “resoluções milagrosas” exteriores, seja com medicamentos prescritos ou não por médicos, ou à custa de drogas e álcool– eu sei que o álcool também é uma droga –, mecanismos de defesa, ou outro similar

Não fuja das suas dores emocionais, já que são elas que nos ensinam o que verdadeiramente queremos, sem as adaptações sociais e familiares. Problema existe prá ser resolvido. Só protele se achar que o momento não é o ideal, mas o resolva com o diálogo franco e aberto, sem revanchismos e transferências de responsabilidade.

Somente nós somos responsáveis por nossa vida, e a realização dos nossos sonhos. Se eles não aconteceram como desejávamos, ninguém é culpado – achou que eu iria dizer que a culpa é nossa? Dançou. Sabe... o  que somos é resultado de aprendizados exitosos e equivocados, pessoais, familiares, sociais – veja o inconsciente pessoal e coletivo de Jung. E vamos descobrindo com a maturidade, que nem sempre estávamos buscando o que era importante para nós, o que verdadeiramente nos movia internamente. E quando nos defrontamos com essa realidade, nos frustramos, pois os sonhos viraram pesadelos, a busca de anos se dilui em minutos.

Mas a vida deve seguir à partir deste momento, mesmo que seja de forma diferente da qual “todos” imaginavam. É um ponto crucial para olharmos para dentro de nós e percebermos o que realmente queríamos e ir atrás disso. É hora de revisar valores, modelos, caminhos.

Não seremos felizes se à custa de medicamentos e drogas tentarmos “concertar” o que estava “desconcertado”. É hora de olhar para si, levantar a cabeça e seguir adiante, porque a vida vai seguir, e é melhor seguir com ela. Não fique como um pneu atolado.

Os sentimentos de frustração, desânimo, tristeza, medo, angústia, fazem parte do processo, assim como os de alegria, paz, felicidade, bem estar, coragem. Prá ser feliz eu preciso conhecer minhas virtudes e imperfeições, aprendendo a se relacionar com elas junto ao meio. E essas “crises” são capazes de nos mostrar aquilo que nos vai ao íntimo, que é nosso e não do outro; onde devo amadurecer emocionalmente; qual imperfeição tenho que olhar para que ao lado nasça uma virtude; o que é velho e ultrapassado e tenho que dispensar; quais sonhos são irreais e quais são reais; quais os talentos tenho que multiplicar...

Cada ser tem uma condição psicológica e emocional diferente. Uns se saem bem, enquanto outros precisam de ajuda. Se precisar de ajuda, busque!!! Não queira bancar o “forte” como fulano ou beltrana. Se aceite. Se tiver que “descabelar”, “descabele”, chute o balde – mas não o fure, certo – apenas não desloque para ninguém. E acredite que a solução às vezes leva algum tempo, não é imediata. Precisamos elaborar as problemáticas existenciais.

Vai ao psiquiatra para usar remédios. Tudo bem. Mas não se esquive da psicoterapia. Ela te ajudará nessa observação interior e no processo de retorno a você mesmo.

Revisão de valores e conceitos, psicoterapia, psiquiatra, amigos. A redefinição de objetivos e metas na vida deve ser buscada, pois foi somente por isso que a crise aconteceu. Não mascare a sua vida, não se iluda. Assuma a dificuldade e busque ajuda. Se perceber que errou e der para concertar, melhor ainda. Se não der, peça desculpas e não repita a falha em situações futuras. Se aceite como um ser falível e capaz de de superar esse movimento interior.

Ser diferente, agir e reagir diferente do outro não tem nada de diferente. Isso é ser igual!! Se alguém consegue rir em momentos difíceis e assim se superar, é o jeito dela. Como você lida com a situação??? Como pode lidar melhor??? Não finja que está tudo bem quando há uma erupção dentro de você. Controle-se a ponto de não ferir ou deixar marcas profundas em alguém quando for/tiver que se defender, e busque a solução, por mais que hoje seja bem dolorido e envolva outras pessoas que não entenderão a situação – só entendemos uma situação quando estamos mergulhados e vivenciando ela. O tempo sempre está a nosso favor.

Ainda não estamos acima do bem e do mal – na verdade estamos bem abaixo. Não sejamos aquilo que ainda não podemos. Sejamos nós. Por mais que isso desagrade um ou outro. Somos assim hoje para amanhã sermos melhores. Usando somente esses remédios não seremos melhores, muito menos nós mesmos!!!

Prá sermos felizes precisamos nos identificar conosco mesmos, aceitando como ainda estamos, sem as “máscaras” exteriores que nos ajudam a nos tornarmos “melhores” para os outros. Temos que controlar nosso humor por nós mesmos, de preferência, sem aditivos.

Ninguém tem a obrigação de ser feliz todos os dias, pois isso não existe!!! Aliás, essa "fórmula" é cruel!!! É uma utopia de uma sociedade materialista que “vende de tudo” para lucrar em cima da fragilidade humana. Temos a obrigação em sermos melhores, e para isso temos a vida inteira pela frente. É assim que a felicidade interna se amplia.

Quer ser feliz??? Não desloque, não transfira, não projete. Não entre em “competição” de felicidade. Apenas viva e aprenda com ela. Seja hoje, melhor do que ontem... e espere amanhã uma nova dificuldade para poder ser... cada dia mais feliz, pois estará indo ao encontro da sua essência!!!

Pense nisso!!!

Forte Abraço e até o próximo post!!!

Um comentário:

  1. Genial. Falou muito bem amigo!! Parabéns!

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