25 novembro 2009

Gerencie suas emoções

Deixando-se levar pelo frenesi mundano, trabalhando cada dia mais e descansando cada vez menos; cumprindo metas desproporcionais, mas numa crescente proporção lucrativa para meia dúzia de dois ou três; passando mais tempo dentro de seus carros, nos ônibus hiper-lotados do que dentro de sua própria casa; bebendo demais; fumando demais; tomando remédios demais (muito demais); assistindo programas deseducativos e vazios de significado para a vida e tentando aplicar as “receitas” anunciadas nas suas relações; competindo dentro de casa, eis que o ser humano já não é mais capaz de controlar e gerenciar suas emoções.


O que mais vemos são pessoas vivendo seus “dias de fúria” continuadamente.


Muitas pessoas acreditam que estão infelizes porque sua vida é uma porcaria, ganham pouco e gastam muito, estão insatisfeitas com seus relacionamentos, consigo mesma, mas isso não é infelicidade, isso ocorre em conseqüência de seus sentimentos estarem confusos, as emoções à flor da pele, idéias ambíguas estraçalham sua mente, e isso é resultado de uma má digestão das raivas e mágoas acumuladas; fracassos e insucessos que não foram superados e assombram seu subconsciente; constrangimentos variados engolidos na forma de sapo (boi).


Esse é o resultado de não colocarmos em nossa agenda diária a prática de digerir nossos problemas e decepções. E lembrando, problema e decepção todo mundo passa, não dá prá passar pela vida feito um “super-homem” ou uma “super-mulher” imune a tudo, intocável, impenetrável e diariamente feliz, com a vida nos produzindo tudo que pedimos e sonhamos.


Também não dá prá resolver nossas frustrações, decepções, raivas, insucessos, a custa de remédios, pois assim como dormir demais ou deslocar para a bebida, entre outros, isso é uma fuga que não resolve e muito menos ameniza, só retarda o reencontro e somatiza doenças. Aliás, as pesquisas com doenças psicossomáticas mostram claramente isso!


Prá ser feliz hoje não podemos (e não dá) fugir das nossas dores emocionais, não funciona deslocar, transferir e muito menos projetar, pois os problemas estão ali, guardadinhos em nosso porãozinho (subsconciente) e se nos faltar coragem para de vez em quando fazermos uma limpeza, jogando fora as páginas da vida do passado que não servem para nada, a não ser nos tornar rancoroso, nos prender a ele , mantendo um cemitério em nossa cabeça; darmos uma expirada nas emoções e sentimentos envelhecidos, cristalizados; perdoarmos quem nós acreditamos que nos feriu ou magoou; mudar as crenças arcaicas, ultrapassadas, fica difícil ser feliz e ter autocontrole sobre nossas emoções e sentimentos.


Cedo ou tarde o porãozinho fica cheio e lá estaremos (ou estamos) tendo nossos “dias de fúria”.


Não é porque deixamos o problema para trás que ele foi resolvido. Ele continua ali como um fantasma a atormentar nossos sonhos e a nos causar doenças. Tenha coragem! Enfrente a situação, trabalhe os sentimentos e emoções envolvidas, que, aliás, são nossos, e como disse o filósofo Epíteto... “ocupe-se efetivamente daquilo que está sobre seu controle”, e a única coisa que está sobre o nosso controle são nossos sentimentos e emoções, mais nada!!!


Então, enfrente e encare as problemáticas, e, somente assim, podemos nos reeducar e olhar a vida de ângulos ainda não descobertos. Se for o caso, espere o momento passar, fazendo algo de útil. Há situações que se resolvem no mesmo dia, outras no dia seguinte, na semana, mês que vem, um ano, dez anos, trinta, e por aí vai. Como diz uma frase de um filósofo contemporâneo: “tudo passa, até uva-passa”.


Aprenda a ter controle sobre a sua vida! Filtre o que ouve! Aprenda a dizer não! Trabalhe com a desculpa e o perdão! Lembre-se que para toda emoção e sentimento negativo há um sentimento bom e uma boa emoção. Ninguém pode te ferir ou magoar a não ser que você queira, já que os sentimentos são seus e você escolhe o que quer sentir. A felicidade é obra de valores virtuosos, solidários, alegres, fraternos, altruístas.


Recorde-se em não somatizar doenças, tente resolver os conflitos, com bom senso, paciência e diplomacia. Sentimentos como ciúmes, inveja, raiva, ódio, remorso, mágoas rancores, ressentimentos, medo, insegurança, geram altas cargas emocionais que descontrolam a nossa psique e nosso corpo. Dá prá entender porque de tantas doenças psíquicas assolando nossa sociedade?


Viva o hoje e deixe os problemas de amanhã para amanhã. Não queira ter tudo sobre seu controle que é frustração na certa!!! Esse é o mal da nossa sociedade:  a ansiedade em descontrole e a baixa tolerância a frustrações.


Para encerrar, deixo duas frases que adoro. Uma é do filósofo Horácio, e a outra é do imperador e também filósofo Marco Aurélio:


“Todas as esperanças estão em mim.”


“Evite os gestos e pensamentos desnecessários”


Forte Abraço e até o próximo post!!!




05 novembro 2009

Tenha gratidão para ser feliz







Essa é uma das dicas que julgo ser uma das mais importantes em nosso processo de ampliar o sentimento de felicidade. E é sempre bom lembrar que a felicidade está estritamente ligada ao desenvolvimento de virtudes, qualidades do bem, do amor, atitudes de altruísmo, de solidariedade e fraternidade, a busca e o encontro com a missão pessoal de cada um.


Parece piegas, mas não é!!!


Faça um laboratório com as pessoas que você conhece e admira por sentirem-se felizes. Sabe aquela que quando passa pela gente, sem nenhum esforço, ela exala felicidade, alegria, esperança? Então, são elas! Observe as virtudes e qualidades ligadas ao amor que elas têm. Analise que quando o mundo desaba em sua cabeça, ela, sem máscaras, continua firme e feliz, não se descabela ou compromete outras áreas da sua vida. Sabe o que a mantém? Suas virtudes!!! O amor em tudo que faz!!!


 Gratidão!!! A maior de todas as virtudes. Qualidade em ser capaz de reconhecer algum benefício que alguém nos prestou. É mais que um sentimento, é uma necessidade interior de reconhecimento. Não se trata em retribuir a pessoa o que ela nos fez, pois isso nos remete a um sentimento de débito que deve ser pago, e isso não é gratidão.


A gratidão é algo natural, espontâneo, consciencial. Se alguém me faz um bem e devo “pagar” a ela, é mais fácil que isso seja fruto do orgulho em não se querer “ficar por baixo”, receio que depois a pessoa nos jogue na cara ou no ventilador o bem que nos fez, ou ainda que venha cobrar mais tarde. E, aliás, o bem deve ser feito de forma gratuita, sem esperar nada em troca e de preferência, velada!


Em relação a isso não espere gratidão dos outros! Não faça nada esperando reconhecimento, já que ele pode não vir. Seja grato, ou seja, tenha gratidão à vida por poder fazer algo de bom a alguém. Esse é um sentimento interior e pessoal que independe dos outros. Lembre-se que a felicidade não depende – e não pode depender – do exterior.


O que menos vemos em nossa sociedade, entre outras coisas, são pessoas agradecendo, mesmo pela simples condição ao bom relacionamento social. Às vezes até sai um “muito obrigado”, mas é vazio, automático, vago, quase obrigatório, e na maioria das vezes a pessoa nem olha no rosto de quem está agradecendo. Nossa sociedade carece de boa educação!


É comum compararmo-nos com outras pessoas com referência para o que temos ou como somos - “Você tem que agradecer a comida na mesa, pois há pessoas que nada tem para comer, vivem de resto”; “Deveria agradecer as mãos e os pés para trabalhar, pois pessoas as perderam” – creio que esse seja um caminho para o despertar interior do sentimento de gratidão, mas com o tempo precisamos abdicar desse subterfúgio, a fim de não darmos vazão ao complexo de superioridade ou mesmo a inveja, já que torna-se impossível não se comparar com os que estão melhores ou possuem mais do que nós.


Aliás, vou adiantar uma dica de felicidade que futuramente escreverei um post: “quer ser feliz, não se compare a ninguém ou a qualquer situação, pois isso gera revanchismo e competição, impedindo-nos de sermos felizes!”


Várias pesquisas sugerem que a gratidão aumenta nosso bem estar e felicidade subjetiva. A Psicologia Positiva recomenda que façamos um diário e anotemos a quem devemos agradecer. Então, coração e mãos à obra.


Já agradeceu hoje por estar vivo? Independente de sua crença religiosa, já parou para pensar que talvez não pudesse abraçar, beijar e amar aqueles que lhe são caros? Que sua ausência poderia causar dores em quem lhe ama? Que não poderia mais continuar seus projetos, sentar com os amigos em um happy hour? Já agradeceu por hoje você ser uma das exceções que poderá dar continuidade a seus sonhos?


Aos que tem filhos. Já agradeceu pela oportunidade de realizar um sonho que milhares de pessoas lutam e não conseguem? O da paternidade e da maternidade? Lembrando que eles levam consigo 50% de você, e não me refiro à questão hereditária, mas a processo de energia psíquica. A oportunidade em se reeducar por meio de seus filhos? Sim, nós nos reeducamos pelos nossos filhos. Não percebeu quanto você melhorou em conseqüência disso? Hoje somos menos egoístas, mudamos valores e princípios, somos mais tolerantes, mais afetuosos, temos ideais mais nobres e voltados ao bem (eu sei há exceções).


Então, agradeça com todo carinho e afeto os seus filhos, ou melhor, diga isso a eles olhando em seus olhos, mesmo aquele que você acredita ser um chato, um “aborrecente”. Pode ser que ele esteja cobrando de você mais disponibilidade, carinho e atenção, para suprir os 50% da sua energia nele.


Já agradeceu ao seu marido, namorado, companheiro, hoje? Sim esse mesmo que prá cavalo só falta relinchar porque coice ele dá toda hora! Agradeça a ele, por não estar solitária; por tudo que cresceram juntos até hoje; por você poder projetar nele as imperfeições que ainda possui, favorecendo seu autoconhecimento e transformação; por estar ao seu lado nos momentos de dificuldades; por lhe permitir ser mãe; por suportar suas crises de TPM...


Já agradeceu a sua esposa, namorada, companheira? Aquela que prá bruxa só falta pegar a vassoura e sair voando. Será que não seria o momento de agradecê-la, pelo tempo de convívio, tolerância, crescimento; por ser a parceira da realização de muitos dos seus sonhos; pela comida e roupa limpa; por ter lhe permitido ser pai; por também permitir que você projetasse nela as suas imperfeições; por lhe ajudar a educar as “crianças”...


E os que estão sozinhos, já agradeceram pela oportunidade da solidão? Por agora compreender que somos inteiros e para estar com alguém precisamos deixar de ser egoístas e dependentes? Pela oportunidade de ter aprendido a se virar sozinho dentro de casa, lavar, passar, cozinhar. Por ter, mesmo tardiamente, reconhecido e valorizado o ser amado que se foi? Pelo autoconhecimento que a solidão traz? Por ter aprendido a conviver melhor consigo mesmo, favorecendo conviver melhor com o outro (a)? Por perceber que a individualidade que te completa também deve ser oferecida ao (a) outra (a)?


Já agradeceu ao carniça do seu patrão ou ao emprego que tem, já que, talvez, se não fosse ele, você estaria aumentando as estatísticas de desempregados em nosso país; estaria frustrado e revoltado por não poder ter uma vida digna,satisfazendo seus mínimos prazeres? Por, com o mísero que você ganha, poder levar alimento para casa, ter lazer, passear, comprar uma roupa melhor. Já agradeceu por esse emprego poder ajudá-lo (a) a se conhecer, aplicar e potencializar suas capacidades, muitas, as quais, você nem sabia que possuía? Já agradeceu pelo que você faz em seu emprego, pois move as engrenagens da máquina comercial mundial, ajudando a manter o serviço de outros milhares de pessoas?


Já agradeceu as pessoas invisíveis? Explico! Pessoas invisíveis são aquelas que habitualmente só vemos no final do ano, e são imprescindíveis em nossa vida, pois como somos interdependentes socialmente, se elas não fizessem sua parte nós não faríamos a nossa? Já agradeceu hoje ao gari, que recolhe aquele lixo imundo e fétido que nós produzimos e não nos damos ao luxo nem de separar por tipo? Há alguns anos atrás houve uma greve dos garis em Nápoli, Itália, que causou séria crise sanitária, lembra-se?


Já agradeceu ao faxineiro do condomínio, da empresa; aos porteiros; ao boy ou a insignificante estagiária? Quantas pessoas invisíveis temos para agradecer?


Vou parar, pois este post está ficando extenso.


O sentimento de gratidão, necessariamente não precisa ser por uma outra pessoa, mas deve ser também por aquilo que se possui, que se conquistou, com esforço e honestidade. Esse sentimento vai se aprimorar em nosso ser quando valorizarmos, reconhecermos o que temos e o que somos, como suficientes nesse momento (sem comodismo e ambição desenfreado, pois não são virtudes).


Ser grato, antes de tudo é um sentimento para com a vida, independente se não temos condições de compreender os mecanismos (que sempre nos fogem) de como ela se desenvolve, mas sempre nos oferece o que precisamos, não o que desejamos.


Gratidão é amor!


Gratidão é humildade!


Gratidão é esperança!


Pense nisso!!!


Forte Abraço!!!


Até o próximo post!!!