28 julho 2009

Concepção de Felicidade: Bens Materiais

Trabalhar e comprar. Trabalhar e consumir.

Há algum tempo vivemos nossas vidas dentro de um modelo que tem causado mal ao ser humano, causando-lhe grandes insatisfações. Vida de consumo é o que temos hoje. As empresas produzem e alguém tem que comprar. A cada dia novas tecnologias surgem. O que é novidade hoje, amanhã é velharia, material de museu. Isso não é ruim, faz parte do progresso, do desenvolvimento intelectual. O que é ruim é que isso nos remete a uma corrida desenfreada de consumo. Todos querem ter as novidades, todos querem ter artigos novos. E como o que novidade hoje, amanhã já não é mais, vivem todos insatisfeitos com o que tem.

Nesse frenesi mundano, os bens materiais ocupam espaço de destaque para a “aquisição da felicidade”. Isso mesmo, “aquisição da felicidade”. Muitos acreditam que tendo artigos materiais irão alcançar a felicidade. Estão mais preocupados com a aparência, com a marca, com o destaque e a projeção que irão ter com o bem adquirido, do que necessariamente com sua efetiva utilidade.

É o valor emprestado do objeto que os move. Para tanto, basta ver a necessidade que as pessoas têm em cantar aos quatros ventos sua nova aquisição material. E sabe por quê? Justamente pelo pólo oposto. Como eu não tenho valores internos, morais e éticos, que me dignifiquem; como minha autoestima é baixa; como eu não me aceito como sou; como não me esforço para ser um ser humano melhor; como não sei o que é preciso para sentir a felicidade e vivo feito “maria vai com as outras”; como não estou satisfeito com a vida que criei para eu mesmo; tudo isso me causa um imenso vazio interior, já que não desenvolvo minhas qualidades latentes para preencher-me, e tenho que buscá-la fora de mim.

Então, nós consumimos, e, por vezes, nos endividamos sem necessidade, simplesmente para satisfazer nosso ego egoísta, que escamoteia o preenchimento interno com necessidades externas e, quase sempre supérfluas, desnecessárias.

O ser humano tem uma necessidade psicológica em manter-me pleno, em sentir-se completo, mas infelizmente não descobriu que essa é uma busca que nos remete ao despertar e desenvolvimento de valores internos, das potencialidades inatas que todos temos.

Já observou a quantidade de “elefantes brancos” que temos? Quantas coisas compramos e antes de chegar em casa nos arrependemos? Quantas outras são motivos de ciúmes, brigas e disputas dentro da própria casa ou família? Quantas outras compramos simplesmente pela inveja de uma outra pessoa possuir, ou mesmo por estar na moda, ou ainda, porque alguém do meu grupo a possui (e como quero ser aceito, valorizado e reconhecido por todos, também tenho que ter)

Muitos acreditam que tendo uma casa (e tem que ser uma ótima casa, uma casinha simples não resolve) um carro do ano (e não pode ser 1000 – pergunte prá quem tem um se ele está feliz com o carro que tem) seriam mais felizes. Pesquisas mostram que a população dos Estados Unidos, por exemplo, na década de 50, acreditavam que para serem felizes necessitariam de uma casa própria, um carro e o filho na universidade. Pois bem! Há muito tempo eles tem tudo isso (e até mais) e o nível de felicidade deles é o mesmo, não se alterou. E o desenvolvimento tecnológico e financeiro que acometeu o Japão, que ao invés de aumentar a felicidade, aumentou o número de suicídios.

É interessante notar que a mensagem do consumismo é direta e objetiva e vai agindo em nossa mente de forma subliminar. Veja o que acontece com as crianças. Desde pequenas são empurradas para o consumismo, através de “marcas” de desenhos, roupas, alimentos e outros que são transmitidos pela mídia e pela sociedade de uma maneira geral, já que esta é consumista. A mídia vê a criança como um futuro consumidor em potencial. E como as crianças passam mais parte do seu tempo assistindo televisão do que desenvolvendo habilidades e aptidões pessoais, quando saem na rua, acham que a vida é um imenso Shopping Center e que “dinheiro nasce em árvore”.

Temos ainda, a indução dos próprios pais, já que estes, pai e mãe (que são grandes consumidores), na grande maioria das vezes trabalham fora o dia inteiro, e para compensar sua ausência e o sentimento de culpa que sentem por abandonar seus filhos (que se sentem realmente abandonados) satisfazem todos os seus desejos, querem lhes dar “do bom e do melhor”, os enchem de presentes e doces. Aliás tem um ditado bastante preciso nesse assunto: quem não dá amor, dá doce.

É... vivemos a predominância do ter ao ser, numa corrida desenfreada e alucinatória de um consumo desvairado e sem propósito, sem finalidade existencial, cada vez mais longe da felicidade.

Enquanto o ser humano não se der conta que o seu sofrimento e o afastamento da verdadeira felicidade está na medida direta das necessidades superficiais que cria para si mesmo, continuaremos nessa ilusão que tem cegado a muitos, não lhes permitindo serem felizes!!!

Viver satisfeito com o que se possui, buscando melhorar dentro das suas possibilidades, mas longe de comparações e modismos, de símbolos exteriores para obter destaques e valorizações (irreais) pessoais, deixando mais tempo para cuidar e conviver consigo mesmo e com os que ama, investindo em valores de moralidade, ética, imaginação, amor, altruísmo, procurando se conhecer, potencializar-se e valorizar o que é nobre e belo dentro de si, deve ser a meta para a felicidade.

Pense nisso!!!

Forte Abraço e até nosso próximo post!!!

E obrigado a todos que tem se filiado ao blog e acompanhado aos post’s.