24 junho 2009

Concepção de Felicidade: Beleza Física

Outro veneno para a felicidade é associar com padrão de beleza físico.

Vivemos dentro de uma cultura extremamente narcisista, de padrões de beleza inalcançáveis, de valores falidos, de consumismo desenfreado.

Nesse ponto quem mais sofre são as mulheres, que hoje não podem mais possuir um corpo: tem que ter uma escultura, uma obra de arte esculpida em seus mínimos detalhes. É tanto de quadril, outro tanto de seios (e turbinados), não sei quanto de altura, menos disso, menos de aquilo, mais daquilo outro.

Uma corrida insensata atrás de uma tal estética que se diz ser “ideal”, esquecendo-se (creio que ignoram isso) que cada corpo tem sua própria estrutura músculo esquelética, e a maioria esmagadora é incapaz de se encaixar nesses tais padrões de beleza! Tem pessoas que não comem nem o “pão que o diabo amassou” com medo de engordar, vivem água e brisa. Algumas só de brisa, pois acreditam que água engorda. Passam fome e vontade, destruindo com o tempo sua saúde e vitalidade. Veja a correria histérica para as academias e as salas de consultórios quando se aproxima o carnaval e o verão. Tudo em nome da beleza da felicidade.

Não há nada de errado em se cuidar do corpo, pelo contrário, mas viver para isso e usá-lo como referencial para alguém ser feliz, ter conquistas, chega a ser patológico, e me faz recordar aquele ditado antigo e atual: “por fora bela viola, por dentro pão bolorento”. A imagem exterior parece ter mais valor que ética, moral, amizade, respeito, criatividade, solidariedade.

Dos que associam felicidade à beleza, posso rapidamente citar dois pontos breves. Primeiro aqueles que não têm condições de atingir esses padrões doentios, e acabam se revoltando contra o seu próprio corpo, destruindo sua autoestima, seus relacionamentos, já que vivem na cultura das comparações (e competições) com os demais. É um azedume que ninguém suporta. Uma mulher nessa condição, por exemplo, quando vê aquelas beldades estampadas em capas de revistas, logo falam (a maioria não fala, só pensa) – alguém deve estar “bancando” ela; a prima da amiga da minha vizinha ficou sabendo da cunhada da prima de “fulana” que ela já fez um monte de botox, umas cinco lipoaspirações, sem falar que essa foto deram uma bela “ajeitada” no fotoshop! Se tirar a calça, despenca tudo (por usar dois números menores)

Mas os homens também não escapam, já que ao ver um homem bonito (primeiro não assumem que a pessoa é bonita, como se isso fosse denegrir sua “grande masculinidade”) e logo aterrizam com algo mais ou menos assim – deve ser gay, homem bonito sempre é gay (e o veneno escorre). Se a pessoa tiver um corpo sarado, não se engane que você vai ouvir – também passa o dia na academia, vagabundo! Quem me dera! Deve ser “bomba”, tenho certeza que tomou uns anabolizantes!

As pessoas se azedam internamente. Caem na crítica e na maledicência. E que Deus permita que não mordam a língua, porque a mente já está envenenada.

Costumo dizer que se feiúra fosse sinônimo de felicidade, “eu tava na roça”. Iria ser infeliz a vida inteira. Precisamos aprender a gostar de nós como somos, procurando ser fisicamente e mentalmente melhores, e assim manter a saúde e a vitalidade física mais equilibradas, mas sem se tornar um fanático por medidas . Conheço pessoas que se afundaram em dívidas para fazer uma cirurgia plástica, uma lipoaspiração, dar uma turbinada nos seios.

Que felicidade pode ser essa que se busca no exterior, tornando-se escravo da fita métrica e da balança? De padrões de beleza que deterioram a saúde para construir uma “arte” que nosso corpo nem sempre permite? De uma corrida estúpida atrás da fonte da juventude e da beleza. Depois reclamam do aumento da bulimia e da anorexia!!!

O outro ponto, se refere à condição que a pessoa não aprende a envelhecer. Quer se manter jovem. Quer ter medidas e usar as roupas de quando tinha 18 anos num corpo de 50 ou 60 anos! Utopia! Me recordo que a pouco tempo atrás, falar “Sr” ou “Sra” a uma pessoa mais velha, era sinal de respeito e consideração. Hoje em dia se a gente fala isso parece que estamos ofendendo, que falamos um “palavrão”. Esse é um reflexo típico de alguém que quer se manter jovem, na aparência, não aceitando a linha do tempo.

Recordo-me de um texto atribuído a Willian Shakespeare, “Você Aprende”: “maturidade tem mais a ver com as experiências que você teve, do que quantos aniversários você comemorou”. A pessoa quer driblar a natureza, não quer envelhecer, como se isso fosse algo “pecaminoso”. Se a terceira idade não fosse necessária, com certeza ela não existiria, teríamos somente a infância, adolescência e a fase adulta. O corpo muda e a cabeça deve acompanhar a mudança.

Agora reflete como é isso com o aumento da possibilidade em se viver até os 90, 100 anos? Em um país onde daqui a algumas décadas será um país de idosos? Será que todos estão fadados a viverem infelizes e insatisfeitos?

Pesquisas científicas demonstram que a felicidade, nessa fase, está muito mais ligada a capacidade de se adaptar, de ser útil a uma causa ou a alguém, em ter ao lado pessoas que se ama. Se o corpo pára, atrofia os músculos. Se o cérebro pára de aprender, diminuímos nossa capacidade de memória entre outras funções cerebrais. Tudo que pára faz mal: água parada é canteiro do mosquito da dengue; trânsito parado é congestionamento.

Nessa fase, a grande maioria já se aposentou, e fica encostada esperando que a vida acabe em barranco. Não pode! As pessoas nunca devem deixar de sonhar e buscar seus sonhos. Há mais tempo para cuidar de si, viver mais próximos dos familiares, realizar sonhos esquecidos, sonhos infantism desenvolver habilidades, ajudar o próximo. Precisamos conhecer e fazer coisas novas continuadamente. Exercitar, se alimentar bem, viver e amar a vida.

Lembre-se que a felicidade é o exercício de valores internos. A beleza ajuda, mas ela se esvai, enquanto que valores como respeito, gratidão, ética, solidariedade, companheirismo, humildade, esperança, fé, criatividade, alegria, paz interior, jamais se esvairão, ao contrário, serão sempre crescentes dentro de você!!!

E antes de me despedir, deixo esse texto que escrevi no ano passado, como um momento de reflexão.

Receita para a beleza interior

autor: Adilson Costa

Faça várias cirurgias plásticas:

Uma para corrigir o nariz empinado pelo orgulho e pela soberba;

Outra na correção da língua venenosa e ardilosa, e nos lábios que demarcam sua tristeza interior.

Drenagem linfática para retirar o orgulho, a inveja e a ingratidão;

Diversos peelings profundos na culpa e no remorso.

Faça uma dermo esfoliação nas cicatrizes deixadas pela falta de perdão e pelo ódio, assim como no rancor envelhecido.

Uma máscara facial para retirar as expressões de mágoas e ressentimentos, igualmente nas asperezas da insensibilidade no trato com as pessoas;

Depois complete com uma hidratação de sorriso e alegria.

Hidrate suas mãos todos os dias com a prática da solidariedade e da caridade.

Coloque lentes coloridas da misericórdia e da paciência, iluminando seu olhar.

Realize vários implantes de entusiasmo e atitude positiva.

Turbine sua humildade e o desinteresse por questões materiais.

Use botox para esticar a esperança e a fé.

Realce o cabelo com luzes da consciência tranqüila e da paz de espírito; e

Finalize com uma hidromassagem, usando sais da generosidade e pétalas da tolerância, que é bom para o coração e a alma

Obs.: Esses ingredientes não são encontrados nas melhores lojas do ramo. Estão dentro de você!

Forte Abraço !!!!

E até o próximo post (que não vai demorar como esse)!!!