05 abril 2009

Concepção de Felicidade: Dinheiro


Um grande equívoco da vida pós-moderna (e de todas as anteriores) é associar felicidade a sua renda monetária, às cifras acumuladas em bancos, aos altos salários. Quanto mais dinheiro acumular, melhor. Mesmo que em “alguns” casos, a forma com que se avolumou dinheiro e bens tenha se esquivado da ética e da moralidade, do respeito e da justiça.

Lembro-me de ler um artigo do jornalista Ricardo Lombradi que diz assim:  Antes de tudo, é bom relembrar que a felicidade não passa pelo dinheiro. Se fosse assim, infelicidade seria doença de pobre e os psicanalistas estariam atendendo pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Não acontece. Os consultórios estão cheios de pacientes endinheirados com seus problemas pequeno-burgueses. Gente infeliz, moços e moças de carteiras recheadas buscando saídas, ou mesmo uma bússola para tirá-los da escuridão”.

Sábia visão, pois assim realmente acontece. Isso não é conformismo, já que não adianta ter muito dinheiro se você não tem bons relacionamentos, se não tem quem realmente te ame, e principalmente, alguém em quem possa amar. Que adianta ser rico se você não tem amigos verdadeiros, mas um bando de puxa-sacos, que inflamam nossa vaidade e orgulho, estão conosco somente pelo valor da renda bancária? Isso é simples de se avaliar: fica sem grana prá ver quantos amigos estarão ao seu lado ou lhe emprestarão algum.

Há estudos que mostram que os mais felizes são os que possuem fortes laços com a família e com os amigos, além de uma boa saúde, em especial a mental. Ser rico e não ter saúde, não condiciona a felicidade.

Muitos acham que se ganharem na loteria serão mais felizes. As pesquisas mostram que nesse tipo de situação a pessoa será feliz por no máximo 6 meses. Isso mesmo! Seis meses! Alguns fatores são determinantes para que isso ocorra, entre os quais, depois de alguns meses o índice de felicidade, de satisfação, volta aos patamares anteriores, a pessoa se acostuma com o novo estilo de vida. Às vezes ela se tornará mais infeliz, pois normalmente ela se mudará para uma ampla casa em um condomínio, comprará um carro 0Km, importado, mobília nova, porém ela vai se comparar com as outras pessoas que moram no condomínio ou no grupo do novo convívio social – e qualquer tipo de comparação mina a felicidade – e verá que tem pessoas que são mais ricas que ela. Danou-se tudo!

Com medo de ser roubada – e até mesmo assassinada, já que são inúmeros os casos de pessoas que ganham na loteria e são alvos de assassinatos – se trancará em muros de 4 metros, com seguranças  e tudo mais, se isolando do relacionamento social.  Ela não terá paz, pois todo mundo vai lhe pedir ajuda.

O velho ditado que dinheiro não traz felicidade é ainda atual. Nosso nível de exigência sempre vai subindo, nunca estamos satisfeitos com o que temos. Queremos mais e mais!

A felicidade é medida de duas formas: a objetiva e a subjetiva. A objetiva é avaliada com índices como a nutrição, segurança, saúde, educação, renda per capta, e acaba tendo um impacto muito fraco sobre a felicidade subjetiva, que é avaliada sobre a percepção interna de uma pessoa, um julgamento que ela faz da vida. Nos países mais pobres, o desenvolvimento econômico aumenta essa percepção interna, mas, segundo os estudos, nos lugares onde há uma renda per capta de cerca de R$20 mil/ano, não demonstra esse aumento, ou seja, o dinheiro que se tem no bolso e no banco, não traz melhores índices mentais e emocionais mais agradáveis. No Brasil é mais fácil de sentir essa diferença.

Estudos mostram que a renda mensal das pessoas que estão totalmente satisfeitas com a vida que tem gira em torno de R$1.700. Parece que quanto mais rico, mais infeliz. Vale aqui outro ditado: "dinheiro não traz felicidade para quem já tem muito dinheiro".

Quando se avaliam os níveis de felicidade dentro de um mesmo país, aqueles que são mais ricos mostram ser muito pouco mais felizes em relação quando comparado aos demais. Essa mesma comparação quando feita de um país para outro, a diferença é bem mais forte. Uma possível explicação desses estudos para essa diferença não está no dinheiro, mas principalmente na medição da felicidade objetiva que é melhor, já que nos países mais ricos, a educação, saúde, segurança, trânsito são melhores, o que vai se refletir na melhor percepção da felicidade subjetiva. A conclusão é essa que você chegou; morar em um país rico é melhor que ser rico.

Os avanços científicos, matérias, dos últimos dois séculos, não resultaram em um aumento de realização existencial humana, de felicidade.

Ter muito dinheiro, ostentá-lo como forma de impor, de poder, sucesso, viver feito “maria vai com as outras” dentro dessa sociedade consumista, onde somos programados e programamos nossos filhos para ganhar dinheiro e consumir, acreditando que felicidade está no dinheiro, fazendo  tudo por dinheiro, e quanto mais melhor, somente aumenta nossa preocupação, causa ansiedade, diminui os amigos verdadeiros e aumenta os amigos hipócritas, causa fadiga mental, aumenta a desconfiança, pode trazer conflitos familiares, além de nos fazer cair na velha armadilha do valor emprestado do objeto, que nesse caso é o dinheiro.

Hoje em dia há um aumento dos que se afinizam com a chamada Simplicidade Voluntária, onde se é possível viver sem supérfluos, controlando nossos desejos e dedicando mais tempo a nós, à família, os amigos. Isso me faz recordar o filósofo “Epicuro” que dizia que “o controle dos desejos é essencial para a felicidade”. A cada dia acredito mais na frase que o mais rico é aquele que tem menos necessidades, e nos ajuda a diminuir as necessidades artificiais que criamos para nós mesmos, e são a causa da nossa infelicidade.

Para terminar vou recorrer a Aristóteles: “a felicidade não está na posse, mas na virtude”.

Pense nisso!!!

Forte abraço e até o próximo post.