24 fevereiro 2009

Concepção de felicidade: Mídia

A partir de agora começo a escrever alguns posts sobre algumas concepções equivocadas, distorcidas que temos sobre felicidade, e vem, ao longo do tempo, tornando o ser humano infeliz, insatisfeito consigo, com a vida, com as pessoas.

Há várias utopias em relação à felicidade. As pessoas estão adoecendo por isso. Estão na contramão da felicidade. Querem ser felizes a todo custo, o tempo todo e a toda hora; querem conquistar tudo, serem os melhores, ter tudo que a mídia enfia “goela abaixo”; querem ter corpos de medidas perfeitas, dentro do atual e doentio “padrão de beleza”, além de desejarem ser eternamente jovens e belos.

Isso não é felicidade! É Ignorância de si mesmo! Ignorância do sentido existencial! Ignorância dos verdadeiros valores que envolvem a felicidade! Ignorância do caminho!

É certo que dentro de cada cultura social e familiar, em cada época, às pessoas tem pontos de vista diferentes sobre esse caminho. Felicidade é um ponto de vista, onde cada qual busca o que aprendeu. Mas... sem muito esforço mental, fica fácil notar que há mais infelicidade, frustrações, decepções, incertezas, que verdadeiramente felicidade. Há a motivação da busca e o prazer da conquista, mas passada a euforia inicial, depois que decresce o nível dos neurotransmissores responsáveis pela sensação da felicidade, quando se volta ao estado normal, fica difícil administrar o vazio interior que o dilacera.

Mas deixemos de filosofar e vamos ao assunto de hoje.

Quero escrever primeiramente, sobre aquele que acredito ser um dos mais nocivos à nossa felicidade: a mídia. Não que a mídia seja ruim, ao contrário, ela é boa. É tão boa que mostra diariamente a cada um de nós os valores que estamos cultivando, já que ela funciona como um alto falante da sociedade. Ela é como um espelho refletindo os desejos e valores que possuímos.

Tem o marketing da felicidade que devemos tomar cuidado, muito cuidado! Muitas empresas usam o slogam felicidade aos seus produtos. Temos uma necessidade doentia de consumir. Uma carência material muito grande dentro de cada um de nós (eles sabem disso). Insaciáveis em nossas conquistas e aquisições, nunca estamos felizes com o que temos. Queremos sempre mais e mais: o mais novo, o último lançamento, o mais caro, o mais bonito, melhor que o do vizinho...

Quem não está carente de uma TV 52’’? Uma casa mais ampla, melhor localizada, espaço gourmet? Um refrigerador “side by side”? Um carro mais novo com acessórios modernos? Uma lipoaspiração? Uma cirurgia plástica?

Como sentimos um grande vazio interior, causado muitas vezes, pelos maus relacionamentos que temos em nossa família, com os amigos, no trabalho; pela falta de investimentos de valores éticos e morais; pelo desamor conosco; pela baixa autoestima; pelo ciúme sobre o que é do outro; pelo complexo de inferioridade (ou de superioridade). Precisamos preenchê-lo! E fazemos isso de fora para dentro, fugindo da realidade interior e compensando externamente.

Outra ótica a refletir é que queremos comprar e comprar mais, não pela necessidade que temos daquele bem, mas pelo valor que emprestamos do objeto. O objeto adquirido fortalece a minha imagem de poder, de bem sucedido, de reconhecimento. Já observou que toda vez que a mulher põe um vestido novo as pessoas falam - "Nossa!!! Como você está linda!!!". Já viu que qualquer homem em um carro importado também fica "lindo"? É a valorização do ter sobre o ser.

Já observou como é a maioria dos comerciais de TV? Aparecem aqueles lugares paradisíacos; pessoas longilíneas de corpos padronizados, face que reluz uma beleza inatingível, transpirando felicidade por todos os poros; carros luxuosos, e por aí vai. Depois eles apresentam o produto, que intrínseco quer dizer algo assim: “Compre isso que você vai ser como eles! Feliz! Com poder! Bem sucedido! Lindo (a). E lá vai o amigo do zorro” correndo comprar prá ser como eles. Nem que seja no crediário a perder de vista ou estoure o cartão de crédito!

É nessa hora que somos infantilizados. Não usamos nosso livre-arbítrio, pois não há reflexão, bom senso no que estamos fazendo. Mas como temos que preencher com o que vem de fora, que vá! Viva a liquidação!

Compramos, nos sentimos felizes naquele momento. O pico da felicidade atinge o Monte Everest prá depois despencar feito carrinho de montanha russa. E nem vou escrever de quando chegar a fatura prá pagar. Lembro-me de um comercial, onde o vendedor oferecia um carro 1.0, e dizia que se eu o comprasse seria a pessoa mais feliz do mundo. Parei, pensei e cheguei à conclusão que prá levantar minha autoestima e me “dar felicidade” tinha que ser pelo menos 1.4. Fala sério!!!

Felicidade é um sentimento que não depende de questões exteriores. É uma conquista íntima, sedimentada nos bons relacionamentos intra e interpessoais, na ética, nos valores morais altruístas, na compaixão pelo próximo, no engajamento social (voluntariado), no conhecimento e prática da missão individual, no entendimento da dinâmica da vida, no desenvolvimento de aptidões e talentos, no amor a si mesmo e a vida!

As pessoas que trabalham esse sentimento internamente têm maior engajamento e capacidade de alcançar seus objetivos; relacionamentos mais duráveis, afetuosos e equilibrados; são mais sociáveis e energéticas, consequentemente têm mais amigos; tem o sistema imunológico mais fortalecido, com maior produção de linfócitos; tem resignação dinâmica e produtiva; tem autoestima elevada, pois gostam mais de si e os outros gostam mais delas, sendo também melhores avaliadas. Enfim, são mais felizes e bem sucedidas no amor, na família, no trabalho... na vida.

Pense nisso!!

Até o próximo post!!

 

 

Adilson Costa