25 novembro 2009

Gerencie suas emoções

Deixando-se levar pelo frenesi mundano, trabalhando cada dia mais e descansando cada vez menos; cumprindo metas desproporcionais, mas numa crescente proporção lucrativa para meia dúzia de dois ou três; passando mais tempo dentro de seus carros, nos ônibus hiper-lotados do que dentro de sua própria casa; bebendo demais; fumando demais; tomando remédios demais (muito demais); assistindo programas deseducativos e vazios de significado para a vida e tentando aplicar as “receitas” anunciadas nas suas relações; competindo dentro de casa, eis que o ser humano já não é mais capaz de controlar e gerenciar suas emoções.


O que mais vemos são pessoas vivendo seus “dias de fúria” continuadamente.


Muitas pessoas acreditam que estão infelizes porque sua vida é uma porcaria, ganham pouco e gastam muito, estão insatisfeitas com seus relacionamentos, consigo mesma, mas isso não é infelicidade, isso ocorre em conseqüência de seus sentimentos estarem confusos, as emoções à flor da pele, idéias ambíguas estraçalham sua mente, e isso é resultado de uma má digestão das raivas e mágoas acumuladas; fracassos e insucessos que não foram superados e assombram seu subconsciente; constrangimentos variados engolidos na forma de sapo (boi).


Esse é o resultado de não colocarmos em nossa agenda diária a prática de digerir nossos problemas e decepções. E lembrando, problema e decepção todo mundo passa, não dá prá passar pela vida feito um “super-homem” ou uma “super-mulher” imune a tudo, intocável, impenetrável e diariamente feliz, com a vida nos produzindo tudo que pedimos e sonhamos.


Também não dá prá resolver nossas frustrações, decepções, raivas, insucessos, a custa de remédios, pois assim como dormir demais ou deslocar para a bebida, entre outros, isso é uma fuga que não resolve e muito menos ameniza, só retarda o reencontro e somatiza doenças. Aliás, as pesquisas com doenças psicossomáticas mostram claramente isso!


Prá ser feliz hoje não podemos (e não dá) fugir das nossas dores emocionais, não funciona deslocar, transferir e muito menos projetar, pois os problemas estão ali, guardadinhos em nosso porãozinho (subsconciente) e se nos faltar coragem para de vez em quando fazermos uma limpeza, jogando fora as páginas da vida do passado que não servem para nada, a não ser nos tornar rancoroso, nos prender a ele , mantendo um cemitério em nossa cabeça; darmos uma expirada nas emoções e sentimentos envelhecidos, cristalizados; perdoarmos quem nós acreditamos que nos feriu ou magoou; mudar as crenças arcaicas, ultrapassadas, fica difícil ser feliz e ter autocontrole sobre nossas emoções e sentimentos.


Cedo ou tarde o porãozinho fica cheio e lá estaremos (ou estamos) tendo nossos “dias de fúria”.


Não é porque deixamos o problema para trás que ele foi resolvido. Ele continua ali como um fantasma a atormentar nossos sonhos e a nos causar doenças. Tenha coragem! Enfrente a situação, trabalhe os sentimentos e emoções envolvidas, que, aliás, são nossos, e como disse o filósofo Epíteto... “ocupe-se efetivamente daquilo que está sobre seu controle”, e a única coisa que está sobre o nosso controle são nossos sentimentos e emoções, mais nada!!!


Então, enfrente e encare as problemáticas, e, somente assim, podemos nos reeducar e olhar a vida de ângulos ainda não descobertos. Se for o caso, espere o momento passar, fazendo algo de útil. Há situações que se resolvem no mesmo dia, outras no dia seguinte, na semana, mês que vem, um ano, dez anos, trinta, e por aí vai. Como diz uma frase de um filósofo contemporâneo: “tudo passa, até uva-passa”.


Aprenda a ter controle sobre a sua vida! Filtre o que ouve! Aprenda a dizer não! Trabalhe com a desculpa e o perdão! Lembre-se que para toda emoção e sentimento negativo há um sentimento bom e uma boa emoção. Ninguém pode te ferir ou magoar a não ser que você queira, já que os sentimentos são seus e você escolhe o que quer sentir. A felicidade é obra de valores virtuosos, solidários, alegres, fraternos, altruístas.


Recorde-se em não somatizar doenças, tente resolver os conflitos, com bom senso, paciência e diplomacia. Sentimentos como ciúmes, inveja, raiva, ódio, remorso, mágoas rancores, ressentimentos, medo, insegurança, geram altas cargas emocionais que descontrolam a nossa psique e nosso corpo. Dá prá entender porque de tantas doenças psíquicas assolando nossa sociedade?


Viva o hoje e deixe os problemas de amanhã para amanhã. Não queira ter tudo sobre seu controle que é frustração na certa!!! Esse é o mal da nossa sociedade:  a ansiedade em descontrole e a baixa tolerância a frustrações.


Para encerrar, deixo duas frases que adoro. Uma é do filósofo Horácio, e a outra é do imperador e também filósofo Marco Aurélio:


“Todas as esperanças estão em mim.”


“Evite os gestos e pensamentos desnecessários”


Forte Abraço e até o próximo post!!!




05 novembro 2009

Tenha gratidão para ser feliz







Essa é uma das dicas que julgo ser uma das mais importantes em nosso processo de ampliar o sentimento de felicidade. E é sempre bom lembrar que a felicidade está estritamente ligada ao desenvolvimento de virtudes, qualidades do bem, do amor, atitudes de altruísmo, de solidariedade e fraternidade, a busca e o encontro com a missão pessoal de cada um.


Parece piegas, mas não é!!!


Faça um laboratório com as pessoas que você conhece e admira por sentirem-se felizes. Sabe aquela que quando passa pela gente, sem nenhum esforço, ela exala felicidade, alegria, esperança? Então, são elas! Observe as virtudes e qualidades ligadas ao amor que elas têm. Analise que quando o mundo desaba em sua cabeça, ela, sem máscaras, continua firme e feliz, não se descabela ou compromete outras áreas da sua vida. Sabe o que a mantém? Suas virtudes!!! O amor em tudo que faz!!!


 Gratidão!!! A maior de todas as virtudes. Qualidade em ser capaz de reconhecer algum benefício que alguém nos prestou. É mais que um sentimento, é uma necessidade interior de reconhecimento. Não se trata em retribuir a pessoa o que ela nos fez, pois isso nos remete a um sentimento de débito que deve ser pago, e isso não é gratidão.


A gratidão é algo natural, espontâneo, consciencial. Se alguém me faz um bem e devo “pagar” a ela, é mais fácil que isso seja fruto do orgulho em não se querer “ficar por baixo”, receio que depois a pessoa nos jogue na cara ou no ventilador o bem que nos fez, ou ainda que venha cobrar mais tarde. E, aliás, o bem deve ser feito de forma gratuita, sem esperar nada em troca e de preferência, velada!


Em relação a isso não espere gratidão dos outros! Não faça nada esperando reconhecimento, já que ele pode não vir. Seja grato, ou seja, tenha gratidão à vida por poder fazer algo de bom a alguém. Esse é um sentimento interior e pessoal que independe dos outros. Lembre-se que a felicidade não depende – e não pode depender – do exterior.


O que menos vemos em nossa sociedade, entre outras coisas, são pessoas agradecendo, mesmo pela simples condição ao bom relacionamento social. Às vezes até sai um “muito obrigado”, mas é vazio, automático, vago, quase obrigatório, e na maioria das vezes a pessoa nem olha no rosto de quem está agradecendo. Nossa sociedade carece de boa educação!


É comum compararmo-nos com outras pessoas com referência para o que temos ou como somos - “Você tem que agradecer a comida na mesa, pois há pessoas que nada tem para comer, vivem de resto”; “Deveria agradecer as mãos e os pés para trabalhar, pois pessoas as perderam” – creio que esse seja um caminho para o despertar interior do sentimento de gratidão, mas com o tempo precisamos abdicar desse subterfúgio, a fim de não darmos vazão ao complexo de superioridade ou mesmo a inveja, já que torna-se impossível não se comparar com os que estão melhores ou possuem mais do que nós.


Aliás, vou adiantar uma dica de felicidade que futuramente escreverei um post: “quer ser feliz, não se compare a ninguém ou a qualquer situação, pois isso gera revanchismo e competição, impedindo-nos de sermos felizes!”


Várias pesquisas sugerem que a gratidão aumenta nosso bem estar e felicidade subjetiva. A Psicologia Positiva recomenda que façamos um diário e anotemos a quem devemos agradecer. Então, coração e mãos à obra.


Já agradeceu hoje por estar vivo? Independente de sua crença religiosa, já parou para pensar que talvez não pudesse abraçar, beijar e amar aqueles que lhe são caros? Que sua ausência poderia causar dores em quem lhe ama? Que não poderia mais continuar seus projetos, sentar com os amigos em um happy hour? Já agradeceu por hoje você ser uma das exceções que poderá dar continuidade a seus sonhos?


Aos que tem filhos. Já agradeceu pela oportunidade de realizar um sonho que milhares de pessoas lutam e não conseguem? O da paternidade e da maternidade? Lembrando que eles levam consigo 50% de você, e não me refiro à questão hereditária, mas a processo de energia psíquica. A oportunidade em se reeducar por meio de seus filhos? Sim, nós nos reeducamos pelos nossos filhos. Não percebeu quanto você melhorou em conseqüência disso? Hoje somos menos egoístas, mudamos valores e princípios, somos mais tolerantes, mais afetuosos, temos ideais mais nobres e voltados ao bem (eu sei há exceções).


Então, agradeça com todo carinho e afeto os seus filhos, ou melhor, diga isso a eles olhando em seus olhos, mesmo aquele que você acredita ser um chato, um “aborrecente”. Pode ser que ele esteja cobrando de você mais disponibilidade, carinho e atenção, para suprir os 50% da sua energia nele.


Já agradeceu ao seu marido, namorado, companheiro, hoje? Sim esse mesmo que prá cavalo só falta relinchar porque coice ele dá toda hora! Agradeça a ele, por não estar solitária; por tudo que cresceram juntos até hoje; por você poder projetar nele as imperfeições que ainda possui, favorecendo seu autoconhecimento e transformação; por estar ao seu lado nos momentos de dificuldades; por lhe permitir ser mãe; por suportar suas crises de TPM...


Já agradeceu a sua esposa, namorada, companheira? Aquela que prá bruxa só falta pegar a vassoura e sair voando. Será que não seria o momento de agradecê-la, pelo tempo de convívio, tolerância, crescimento; por ser a parceira da realização de muitos dos seus sonhos; pela comida e roupa limpa; por ter lhe permitido ser pai; por também permitir que você projetasse nela as suas imperfeições; por lhe ajudar a educar as “crianças”...


E os que estão sozinhos, já agradeceram pela oportunidade da solidão? Por agora compreender que somos inteiros e para estar com alguém precisamos deixar de ser egoístas e dependentes? Pela oportunidade de ter aprendido a se virar sozinho dentro de casa, lavar, passar, cozinhar. Por ter, mesmo tardiamente, reconhecido e valorizado o ser amado que se foi? Pelo autoconhecimento que a solidão traz? Por ter aprendido a conviver melhor consigo mesmo, favorecendo conviver melhor com o outro (a)? Por perceber que a individualidade que te completa também deve ser oferecida ao (a) outra (a)?


Já agradeceu ao carniça do seu patrão ou ao emprego que tem, já que, talvez, se não fosse ele, você estaria aumentando as estatísticas de desempregados em nosso país; estaria frustrado e revoltado por não poder ter uma vida digna,satisfazendo seus mínimos prazeres? Por, com o mísero que você ganha, poder levar alimento para casa, ter lazer, passear, comprar uma roupa melhor. Já agradeceu por esse emprego poder ajudá-lo (a) a se conhecer, aplicar e potencializar suas capacidades, muitas, as quais, você nem sabia que possuía? Já agradeceu pelo que você faz em seu emprego, pois move as engrenagens da máquina comercial mundial, ajudando a manter o serviço de outros milhares de pessoas?


Já agradeceu as pessoas invisíveis? Explico! Pessoas invisíveis são aquelas que habitualmente só vemos no final do ano, e são imprescindíveis em nossa vida, pois como somos interdependentes socialmente, se elas não fizessem sua parte nós não faríamos a nossa? Já agradeceu hoje ao gari, que recolhe aquele lixo imundo e fétido que nós produzimos e não nos damos ao luxo nem de separar por tipo? Há alguns anos atrás houve uma greve dos garis em Nápoli, Itália, que causou séria crise sanitária, lembra-se?


Já agradeceu ao faxineiro do condomínio, da empresa; aos porteiros; ao boy ou a insignificante estagiária? Quantas pessoas invisíveis temos para agradecer?


Vou parar, pois este post está ficando extenso.


O sentimento de gratidão, necessariamente não precisa ser por uma outra pessoa, mas deve ser também por aquilo que se possui, que se conquistou, com esforço e honestidade. Esse sentimento vai se aprimorar em nosso ser quando valorizarmos, reconhecermos o que temos e o que somos, como suficientes nesse momento (sem comodismo e ambição desenfreado, pois não são virtudes).


Ser grato, antes de tudo é um sentimento para com a vida, independente se não temos condições de compreender os mecanismos (que sempre nos fogem) de como ela se desenvolve, mas sempre nos oferece o que precisamos, não o que desejamos.


Gratidão é amor!


Gratidão é humildade!


Gratidão é esperança!


Pense nisso!!!


Forte Abraço!!!


Até o próximo post!!!

12 outubro 2009

Investindo para ser feliz

Apesar de haver outras miragens contemporâneas sobre a felicidade. Cansei de escrever sobre elas. A partir de agora vou postar dicas que nos levam a desenvolver, manter e ampliar esse sentimento, com visão e atuação no presente, sem amarras com o passado e delírios com o futuro, mais integrados conosco mesmo, buscando saber e realizar nossa missão.

Você pode até não acreditar, mas entender-se como um ser que tem uma missão, e que a sociedade não seria a mesma se um de nós não estivesse nela vivido é um passo para descobrir nossa missão, ou melhor, nossas missões. Se tivéssemos somente uma missão, e falhássemos nela, estávamos fadados a infelicidade. Ao longo dos posts essa visão ficará bem clara.

Quando nos afastarmos de nossa missão, a vida não flui. Vivemos em uma ambivalência tóxica que desarticula nossa psique. É como no caso daquela pessoa que está casada e quer se separar, mas não se separa. Está casada e está pensando em outro. Difícil viver assim!!!

Um exemplo prático se mostra com aquela pessoa que, ao invés de buscar uma profissão onde suas potencialidades e capacidades se multipliquem, se deixa arrastar pelas profissões da moda, por aquelas onde a remuneração é maior, ou por influência dos pais.

Sabe o que acontece? Nunca será feliz no trabalho e consequentemente na vida, pois essa será sempre um peso, um tédio profundo que a fará buscar fora de si algo que a complete internamente (olha a esteira hedonista). Estará longe daquele estado de flow, absorto e integrado consigo, e não demora muito irá aumentar as estatísticas daqueles que adoecem em seu trabalho e desarticulam suas relações. Vai ganhar dinheiro, mas não será feliz, pois não irá conseguir realizá-lo com amor e satisfação, mas por obrigação, status, poder. Triste isso!

Mas não se engane! Nossa vida não será um mar de rosas coloridas.

Problemas, perdas, crises, dificuldades, conflitos interiores fazem parte da vida do ser humano. Saber administrá-los, digeri-los, sem alimentar sentimentos e emoções depreciativas, da mesma forma que buscamos não deslocá-los para outras pessoas, enquanto buscamos apreender as experiências que nos fortalecem e amadurecem a fazermos escolhas mais sadias, enquadradas em nossas missões, conjuntamente com o desabrochar de valores e virtudes altruístas e humanitários, devem fazer parte da nossa agenda para sermos felizes.

Aristóteles, celebremente disse que a felicidade não está na posse, mas na virtude.

Das ocorrências do cotidiano temos duas opções: ter um olhar interior observando quais as capacidades positivas, virtudes, bons sentimentos que poderemos tirar dessas situações, quebrando crenças ultrapassadas e destruidoras, ou ignorar tudo isso e deixar que o instinto, a irracionalidade, o gozo, comandem nossas decisões, da mesma forma que vamos destruindo nossos relacionamentos, acumulando mágoas e rancores, que brevemente se transformam em doenças.

Hoje se sabe que as virtudes não são somente caracteres teológicos, mas são capazes de nos trazer mais equilíbrio psíquico, saúde física, bem estar, influenciando decisivamente em nossa felicidade.

Quando agimos de forma a buscar somente a nossa satisfação, a pensarmos somente em nós, de forma egoísta e individualista, materialista e temporária, traçamos uma reta para a insatisfação e a infelicidade.

Às vezes as pessoas pedem, em suas orações, para que seus filhos não adoeçam. Solicitação solidária, se por detrás do pedido ela não estivesse querendo dizer: melhor que ele não adoeça, senão vai me dar muito trabalho, terei que acordar à noite para dar remédio. Nossa!!! Os remédios são caros, vou ter que gastar uma fortuna, além da possibilidade em ter de faltar no emprego. Na maioria das vezes pensamos mais em nós que verdadeiramente no outro.

Ou aquela pessoa que faz de tudo para não perder o emprego. Se o perder vai ser complicado, pois terá que sair do comodismo, da zona de conforto, e voltar a estudar, se atualizar com cursos, investimentos pessoais, acordar cedo para bater nas portas das fábricas, inumeráveis entrevistas, angústias de ansiedade pelo resultado, e por aí vai.

Aqui já nos cabe uma grande lição. O que tem dirigido minha vida? O desejo de se melhorar como ser humano ou o enraizamento do individualismo e das utopias sociais, de valores vazios e princípios esquizofrênicos?

Pense nisso!!!

Forte abraço, e até o próximo post!!!

28 julho 2009

Concepção de Felicidade: Bens Materiais

Trabalhar e comprar. Trabalhar e consumir.

Há algum tempo vivemos nossas vidas dentro de um modelo que tem causado mal ao ser humano, causando-lhe grandes insatisfações. Vida de consumo é o que temos hoje. As empresas produzem e alguém tem que comprar. A cada dia novas tecnologias surgem. O que é novidade hoje, amanhã é velharia, material de museu. Isso não é ruim, faz parte do progresso, do desenvolvimento intelectual. O que é ruim é que isso nos remete a uma corrida desenfreada de consumo. Todos querem ter as novidades, todos querem ter artigos novos. E como o que novidade hoje, amanhã já não é mais, vivem todos insatisfeitos com o que tem.

Nesse frenesi mundano, os bens materiais ocupam espaço de destaque para a “aquisição da felicidade”. Isso mesmo, “aquisição da felicidade”. Muitos acreditam que tendo artigos materiais irão alcançar a felicidade. Estão mais preocupados com a aparência, com a marca, com o destaque e a projeção que irão ter com o bem adquirido, do que necessariamente com sua efetiva utilidade.

É o valor emprestado do objeto que os move. Para tanto, basta ver a necessidade que as pessoas têm em cantar aos quatros ventos sua nova aquisição material. E sabe por quê? Justamente pelo pólo oposto. Como eu não tenho valores internos, morais e éticos, que me dignifiquem; como minha autoestima é baixa; como eu não me aceito como sou; como não me esforço para ser um ser humano melhor; como não sei o que é preciso para sentir a felicidade e vivo feito “maria vai com as outras”; como não estou satisfeito com a vida que criei para eu mesmo; tudo isso me causa um imenso vazio interior, já que não desenvolvo minhas qualidades latentes para preencher-me, e tenho que buscá-la fora de mim.

Então, nós consumimos, e, por vezes, nos endividamos sem necessidade, simplesmente para satisfazer nosso ego egoísta, que escamoteia o preenchimento interno com necessidades externas e, quase sempre supérfluas, desnecessárias.

O ser humano tem uma necessidade psicológica em manter-me pleno, em sentir-se completo, mas infelizmente não descobriu que essa é uma busca que nos remete ao despertar e desenvolvimento de valores internos, das potencialidades inatas que todos temos.

Já observou a quantidade de “elefantes brancos” que temos? Quantas coisas compramos e antes de chegar em casa nos arrependemos? Quantas outras são motivos de ciúmes, brigas e disputas dentro da própria casa ou família? Quantas outras compramos simplesmente pela inveja de uma outra pessoa possuir, ou mesmo por estar na moda, ou ainda, porque alguém do meu grupo a possui (e como quero ser aceito, valorizado e reconhecido por todos, também tenho que ter)

Muitos acreditam que tendo uma casa (e tem que ser uma ótima casa, uma casinha simples não resolve) um carro do ano (e não pode ser 1000 – pergunte prá quem tem um se ele está feliz com o carro que tem) seriam mais felizes. Pesquisas mostram que a população dos Estados Unidos, por exemplo, na década de 50, acreditavam que para serem felizes necessitariam de uma casa própria, um carro e o filho na universidade. Pois bem! Há muito tempo eles tem tudo isso (e até mais) e o nível de felicidade deles é o mesmo, não se alterou. E o desenvolvimento tecnológico e financeiro que acometeu o Japão, que ao invés de aumentar a felicidade, aumentou o número de suicídios.

É interessante notar que a mensagem do consumismo é direta e objetiva e vai agindo em nossa mente de forma subliminar. Veja o que acontece com as crianças. Desde pequenas são empurradas para o consumismo, através de “marcas” de desenhos, roupas, alimentos e outros que são transmitidos pela mídia e pela sociedade de uma maneira geral, já que esta é consumista. A mídia vê a criança como um futuro consumidor em potencial. E como as crianças passam mais parte do seu tempo assistindo televisão do que desenvolvendo habilidades e aptidões pessoais, quando saem na rua, acham que a vida é um imenso Shopping Center e que “dinheiro nasce em árvore”.

Temos ainda, a indução dos próprios pais, já que estes, pai e mãe (que são grandes consumidores), na grande maioria das vezes trabalham fora o dia inteiro, e para compensar sua ausência e o sentimento de culpa que sentem por abandonar seus filhos (que se sentem realmente abandonados) satisfazem todos os seus desejos, querem lhes dar “do bom e do melhor”, os enchem de presentes e doces. Aliás tem um ditado bastante preciso nesse assunto: quem não dá amor, dá doce.

É... vivemos a predominância do ter ao ser, numa corrida desenfreada e alucinatória de um consumo desvairado e sem propósito, sem finalidade existencial, cada vez mais longe da felicidade.

Enquanto o ser humano não se der conta que o seu sofrimento e o afastamento da verdadeira felicidade está na medida direta das necessidades superficiais que cria para si mesmo, continuaremos nessa ilusão que tem cegado a muitos, não lhes permitindo serem felizes!!!

Viver satisfeito com o que se possui, buscando melhorar dentro das suas possibilidades, mas longe de comparações e modismos, de símbolos exteriores para obter destaques e valorizações (irreais) pessoais, deixando mais tempo para cuidar e conviver consigo mesmo e com os que ama, investindo em valores de moralidade, ética, imaginação, amor, altruísmo, procurando se conhecer, potencializar-se e valorizar o que é nobre e belo dentro de si, deve ser a meta para a felicidade.

Pense nisso!!!

Forte Abraço e até nosso próximo post!!!

E obrigado a todos que tem se filiado ao blog e acompanhado aos post’s.

24 junho 2009

Concepção de Felicidade: Beleza Física

Outro veneno para a felicidade é associar com padrão de beleza físico.

Vivemos dentro de uma cultura extremamente narcisista, de padrões de beleza inalcançáveis, de valores falidos, de consumismo desenfreado.

Nesse ponto quem mais sofre são as mulheres, que hoje não podem mais possuir um corpo: tem que ter uma escultura, uma obra de arte esculpida em seus mínimos detalhes. É tanto de quadril, outro tanto de seios (e turbinados), não sei quanto de altura, menos disso, menos de aquilo, mais daquilo outro.

Uma corrida insensata atrás de uma tal estética que se diz ser “ideal”, esquecendo-se (creio que ignoram isso) que cada corpo tem sua própria estrutura músculo esquelética, e a maioria esmagadora é incapaz de se encaixar nesses tais padrões de beleza! Tem pessoas que não comem nem o “pão que o diabo amassou” com medo de engordar, vivem água e brisa. Algumas só de brisa, pois acreditam que água engorda. Passam fome e vontade, destruindo com o tempo sua saúde e vitalidade. Veja a correria histérica para as academias e as salas de consultórios quando se aproxima o carnaval e o verão. Tudo em nome da beleza da felicidade.

Não há nada de errado em se cuidar do corpo, pelo contrário, mas viver para isso e usá-lo como referencial para alguém ser feliz, ter conquistas, chega a ser patológico, e me faz recordar aquele ditado antigo e atual: “por fora bela viola, por dentro pão bolorento”. A imagem exterior parece ter mais valor que ética, moral, amizade, respeito, criatividade, solidariedade.

Dos que associam felicidade à beleza, posso rapidamente citar dois pontos breves. Primeiro aqueles que não têm condições de atingir esses padrões doentios, e acabam se revoltando contra o seu próprio corpo, destruindo sua autoestima, seus relacionamentos, já que vivem na cultura das comparações (e competições) com os demais. É um azedume que ninguém suporta. Uma mulher nessa condição, por exemplo, quando vê aquelas beldades estampadas em capas de revistas, logo falam (a maioria não fala, só pensa) – alguém deve estar “bancando” ela; a prima da amiga da minha vizinha ficou sabendo da cunhada da prima de “fulana” que ela já fez um monte de botox, umas cinco lipoaspirações, sem falar que essa foto deram uma bela “ajeitada” no fotoshop! Se tirar a calça, despenca tudo (por usar dois números menores)

Mas os homens também não escapam, já que ao ver um homem bonito (primeiro não assumem que a pessoa é bonita, como se isso fosse denegrir sua “grande masculinidade”) e logo aterrizam com algo mais ou menos assim – deve ser gay, homem bonito sempre é gay (e o veneno escorre). Se a pessoa tiver um corpo sarado, não se engane que você vai ouvir – também passa o dia na academia, vagabundo! Quem me dera! Deve ser “bomba”, tenho certeza que tomou uns anabolizantes!

As pessoas se azedam internamente. Caem na crítica e na maledicência. E que Deus permita que não mordam a língua, porque a mente já está envenenada.

Costumo dizer que se feiúra fosse sinônimo de felicidade, “eu tava na roça”. Iria ser infeliz a vida inteira. Precisamos aprender a gostar de nós como somos, procurando ser fisicamente e mentalmente melhores, e assim manter a saúde e a vitalidade física mais equilibradas, mas sem se tornar um fanático por medidas . Conheço pessoas que se afundaram em dívidas para fazer uma cirurgia plástica, uma lipoaspiração, dar uma turbinada nos seios.

Que felicidade pode ser essa que se busca no exterior, tornando-se escravo da fita métrica e da balança? De padrões de beleza que deterioram a saúde para construir uma “arte” que nosso corpo nem sempre permite? De uma corrida estúpida atrás da fonte da juventude e da beleza. Depois reclamam do aumento da bulimia e da anorexia!!!

O outro ponto, se refere à condição que a pessoa não aprende a envelhecer. Quer se manter jovem. Quer ter medidas e usar as roupas de quando tinha 18 anos num corpo de 50 ou 60 anos! Utopia! Me recordo que a pouco tempo atrás, falar “Sr” ou “Sra” a uma pessoa mais velha, era sinal de respeito e consideração. Hoje em dia se a gente fala isso parece que estamos ofendendo, que falamos um “palavrão”. Esse é um reflexo típico de alguém que quer se manter jovem, na aparência, não aceitando a linha do tempo.

Recordo-me de um texto atribuído a Willian Shakespeare, “Você Aprende”: “maturidade tem mais a ver com as experiências que você teve, do que quantos aniversários você comemorou”. A pessoa quer driblar a natureza, não quer envelhecer, como se isso fosse algo “pecaminoso”. Se a terceira idade não fosse necessária, com certeza ela não existiria, teríamos somente a infância, adolescência e a fase adulta. O corpo muda e a cabeça deve acompanhar a mudança.

Agora reflete como é isso com o aumento da possibilidade em se viver até os 90, 100 anos? Em um país onde daqui a algumas décadas será um país de idosos? Será que todos estão fadados a viverem infelizes e insatisfeitos?

Pesquisas científicas demonstram que a felicidade, nessa fase, está muito mais ligada a capacidade de se adaptar, de ser útil a uma causa ou a alguém, em ter ao lado pessoas que se ama. Se o corpo pára, atrofia os músculos. Se o cérebro pára de aprender, diminuímos nossa capacidade de memória entre outras funções cerebrais. Tudo que pára faz mal: água parada é canteiro do mosquito da dengue; trânsito parado é congestionamento.

Nessa fase, a grande maioria já se aposentou, e fica encostada esperando que a vida acabe em barranco. Não pode! As pessoas nunca devem deixar de sonhar e buscar seus sonhos. Há mais tempo para cuidar de si, viver mais próximos dos familiares, realizar sonhos esquecidos, sonhos infantism desenvolver habilidades, ajudar o próximo. Precisamos conhecer e fazer coisas novas continuadamente. Exercitar, se alimentar bem, viver e amar a vida.

Lembre-se que a felicidade é o exercício de valores internos. A beleza ajuda, mas ela se esvai, enquanto que valores como respeito, gratidão, ética, solidariedade, companheirismo, humildade, esperança, fé, criatividade, alegria, paz interior, jamais se esvairão, ao contrário, serão sempre crescentes dentro de você!!!

E antes de me despedir, deixo esse texto que escrevi no ano passado, como um momento de reflexão.

Receita para a beleza interior

autor: Adilson Costa

Faça várias cirurgias plásticas:

Uma para corrigir o nariz empinado pelo orgulho e pela soberba;

Outra na correção da língua venenosa e ardilosa, e nos lábios que demarcam sua tristeza interior.

Drenagem linfática para retirar o orgulho, a inveja e a ingratidão;

Diversos peelings profundos na culpa e no remorso.

Faça uma dermo esfoliação nas cicatrizes deixadas pela falta de perdão e pelo ódio, assim como no rancor envelhecido.

Uma máscara facial para retirar as expressões de mágoas e ressentimentos, igualmente nas asperezas da insensibilidade no trato com as pessoas;

Depois complete com uma hidratação de sorriso e alegria.

Hidrate suas mãos todos os dias com a prática da solidariedade e da caridade.

Coloque lentes coloridas da misericórdia e da paciência, iluminando seu olhar.

Realize vários implantes de entusiasmo e atitude positiva.

Turbine sua humildade e o desinteresse por questões materiais.

Use botox para esticar a esperança e a fé.

Realce o cabelo com luzes da consciência tranqüila e da paz de espírito; e

Finalize com uma hidromassagem, usando sais da generosidade e pétalas da tolerância, que é bom para o coração e a alma

Obs.: Esses ingredientes não são encontrados nas melhores lojas do ramo. Estão dentro de você!

Forte Abraço !!!!

E até o próximo post (que não vai demorar como esse)!!!

05 abril 2009

Concepção de Felicidade: Dinheiro


Um grande equívoco da vida pós-moderna (e de todas as anteriores) é associar felicidade a sua renda monetária, às cifras acumuladas em bancos, aos altos salários. Quanto mais dinheiro acumular, melhor. Mesmo que em “alguns” casos, a forma com que se avolumou dinheiro e bens tenha se esquivado da ética e da moralidade, do respeito e da justiça.

Lembro-me de ler um artigo do jornalista Ricardo Lombradi que diz assim:  Antes de tudo, é bom relembrar que a felicidade não passa pelo dinheiro. Se fosse assim, infelicidade seria doença de pobre e os psicanalistas estariam atendendo pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Não acontece. Os consultórios estão cheios de pacientes endinheirados com seus problemas pequeno-burgueses. Gente infeliz, moços e moças de carteiras recheadas buscando saídas, ou mesmo uma bússola para tirá-los da escuridão”.

Sábia visão, pois assim realmente acontece. Isso não é conformismo, já que não adianta ter muito dinheiro se você não tem bons relacionamentos, se não tem quem realmente te ame, e principalmente, alguém em quem possa amar. Que adianta ser rico se você não tem amigos verdadeiros, mas um bando de puxa-sacos, que inflamam nossa vaidade e orgulho, estão conosco somente pelo valor da renda bancária? Isso é simples de se avaliar: fica sem grana prá ver quantos amigos estarão ao seu lado ou lhe emprestarão algum.

Há estudos que mostram que os mais felizes são os que possuem fortes laços com a família e com os amigos, além de uma boa saúde, em especial a mental. Ser rico e não ter saúde, não condiciona a felicidade.

Muitos acham que se ganharem na loteria serão mais felizes. As pesquisas mostram que nesse tipo de situação a pessoa será feliz por no máximo 6 meses. Isso mesmo! Seis meses! Alguns fatores são determinantes para que isso ocorra, entre os quais, depois de alguns meses o índice de felicidade, de satisfação, volta aos patamares anteriores, a pessoa se acostuma com o novo estilo de vida. Às vezes ela se tornará mais infeliz, pois normalmente ela se mudará para uma ampla casa em um condomínio, comprará um carro 0Km, importado, mobília nova, porém ela vai se comparar com as outras pessoas que moram no condomínio ou no grupo do novo convívio social – e qualquer tipo de comparação mina a felicidade – e verá que tem pessoas que são mais ricas que ela. Danou-se tudo!

Com medo de ser roubada – e até mesmo assassinada, já que são inúmeros os casos de pessoas que ganham na loteria e são alvos de assassinatos – se trancará em muros de 4 metros, com seguranças  e tudo mais, se isolando do relacionamento social.  Ela não terá paz, pois todo mundo vai lhe pedir ajuda.

O velho ditado que dinheiro não traz felicidade é ainda atual. Nosso nível de exigência sempre vai subindo, nunca estamos satisfeitos com o que temos. Queremos mais e mais!

A felicidade é medida de duas formas: a objetiva e a subjetiva. A objetiva é avaliada com índices como a nutrição, segurança, saúde, educação, renda per capta, e acaba tendo um impacto muito fraco sobre a felicidade subjetiva, que é avaliada sobre a percepção interna de uma pessoa, um julgamento que ela faz da vida. Nos países mais pobres, o desenvolvimento econômico aumenta essa percepção interna, mas, segundo os estudos, nos lugares onde há uma renda per capta de cerca de R$20 mil/ano, não demonstra esse aumento, ou seja, o dinheiro que se tem no bolso e no banco, não traz melhores índices mentais e emocionais mais agradáveis. No Brasil é mais fácil de sentir essa diferença.

Estudos mostram que a renda mensal das pessoas que estão totalmente satisfeitas com a vida que tem gira em torno de R$1.700. Parece que quanto mais rico, mais infeliz. Vale aqui outro ditado: "dinheiro não traz felicidade para quem já tem muito dinheiro".

Quando se avaliam os níveis de felicidade dentro de um mesmo país, aqueles que são mais ricos mostram ser muito pouco mais felizes em relação quando comparado aos demais. Essa mesma comparação quando feita de um país para outro, a diferença é bem mais forte. Uma possível explicação desses estudos para essa diferença não está no dinheiro, mas principalmente na medição da felicidade objetiva que é melhor, já que nos países mais ricos, a educação, saúde, segurança, trânsito são melhores, o que vai se refletir na melhor percepção da felicidade subjetiva. A conclusão é essa que você chegou; morar em um país rico é melhor que ser rico.

Os avanços científicos, matérias, dos últimos dois séculos, não resultaram em um aumento de realização existencial humana, de felicidade.

Ter muito dinheiro, ostentá-lo como forma de impor, de poder, sucesso, viver feito “maria vai com as outras” dentro dessa sociedade consumista, onde somos programados e programamos nossos filhos para ganhar dinheiro e consumir, acreditando que felicidade está no dinheiro, fazendo  tudo por dinheiro, e quanto mais melhor, somente aumenta nossa preocupação, causa ansiedade, diminui os amigos verdadeiros e aumenta os amigos hipócritas, causa fadiga mental, aumenta a desconfiança, pode trazer conflitos familiares, além de nos fazer cair na velha armadilha do valor emprestado do objeto, que nesse caso é o dinheiro.

Hoje em dia há um aumento dos que se afinizam com a chamada Simplicidade Voluntária, onde se é possível viver sem supérfluos, controlando nossos desejos e dedicando mais tempo a nós, à família, os amigos. Isso me faz recordar o filósofo “Epicuro” que dizia que “o controle dos desejos é essencial para a felicidade”. A cada dia acredito mais na frase que o mais rico é aquele que tem menos necessidades, e nos ajuda a diminuir as necessidades artificiais que criamos para nós mesmos, e são a causa da nossa infelicidade.

Para terminar vou recorrer a Aristóteles: “a felicidade não está na posse, mas na virtude”.

Pense nisso!!!

Forte abraço e até o próximo post.

 

 

 

24 fevereiro 2009

Concepção de felicidade: Mídia

A partir de agora começo a escrever alguns posts sobre algumas concepções equivocadas, distorcidas que temos sobre felicidade, e vem, ao longo do tempo, tornando o ser humano infeliz, insatisfeito consigo, com a vida, com as pessoas.

Há várias utopias em relação à felicidade. As pessoas estão adoecendo por isso. Estão na contramão da felicidade. Querem ser felizes a todo custo, o tempo todo e a toda hora; querem conquistar tudo, serem os melhores, ter tudo que a mídia enfia “goela abaixo”; querem ter corpos de medidas perfeitas, dentro do atual e doentio “padrão de beleza”, além de desejarem ser eternamente jovens e belos.

Isso não é felicidade! É Ignorância de si mesmo! Ignorância do sentido existencial! Ignorância dos verdadeiros valores que envolvem a felicidade! Ignorância do caminho!

É certo que dentro de cada cultura social e familiar, em cada época, às pessoas tem pontos de vista diferentes sobre esse caminho. Felicidade é um ponto de vista, onde cada qual busca o que aprendeu. Mas... sem muito esforço mental, fica fácil notar que há mais infelicidade, frustrações, decepções, incertezas, que verdadeiramente felicidade. Há a motivação da busca e o prazer da conquista, mas passada a euforia inicial, depois que decresce o nível dos neurotransmissores responsáveis pela sensação da felicidade, quando se volta ao estado normal, fica difícil administrar o vazio interior que o dilacera.

Mas deixemos de filosofar e vamos ao assunto de hoje.

Quero escrever primeiramente, sobre aquele que acredito ser um dos mais nocivos à nossa felicidade: a mídia. Não que a mídia seja ruim, ao contrário, ela é boa. É tão boa que mostra diariamente a cada um de nós os valores que estamos cultivando, já que ela funciona como um alto falante da sociedade. Ela é como um espelho refletindo os desejos e valores que possuímos.

Tem o marketing da felicidade que devemos tomar cuidado, muito cuidado! Muitas empresas usam o slogam felicidade aos seus produtos. Temos uma necessidade doentia de consumir. Uma carência material muito grande dentro de cada um de nós (eles sabem disso). Insaciáveis em nossas conquistas e aquisições, nunca estamos felizes com o que temos. Queremos sempre mais e mais: o mais novo, o último lançamento, o mais caro, o mais bonito, melhor que o do vizinho...

Quem não está carente de uma TV 52’’? Uma casa mais ampla, melhor localizada, espaço gourmet? Um refrigerador “side by side”? Um carro mais novo com acessórios modernos? Uma lipoaspiração? Uma cirurgia plástica?

Como sentimos um grande vazio interior, causado muitas vezes, pelos maus relacionamentos que temos em nossa família, com os amigos, no trabalho; pela falta de investimentos de valores éticos e morais; pelo desamor conosco; pela baixa autoestima; pelo ciúme sobre o que é do outro; pelo complexo de inferioridade (ou de superioridade). Precisamos preenchê-lo! E fazemos isso de fora para dentro, fugindo da realidade interior e compensando externamente.

Outra ótica a refletir é que queremos comprar e comprar mais, não pela necessidade que temos daquele bem, mas pelo valor que emprestamos do objeto. O objeto adquirido fortalece a minha imagem de poder, de bem sucedido, de reconhecimento. Já observou que toda vez que a mulher põe um vestido novo as pessoas falam - "Nossa!!! Como você está linda!!!". Já viu que qualquer homem em um carro importado também fica "lindo"? É a valorização do ter sobre o ser.

Já observou como é a maioria dos comerciais de TV? Aparecem aqueles lugares paradisíacos; pessoas longilíneas de corpos padronizados, face que reluz uma beleza inatingível, transpirando felicidade por todos os poros; carros luxuosos, e por aí vai. Depois eles apresentam o produto, que intrínseco quer dizer algo assim: “Compre isso que você vai ser como eles! Feliz! Com poder! Bem sucedido! Lindo (a). E lá vai o amigo do zorro” correndo comprar prá ser como eles. Nem que seja no crediário a perder de vista ou estoure o cartão de crédito!

É nessa hora que somos infantilizados. Não usamos nosso livre-arbítrio, pois não há reflexão, bom senso no que estamos fazendo. Mas como temos que preencher com o que vem de fora, que vá! Viva a liquidação!

Compramos, nos sentimos felizes naquele momento. O pico da felicidade atinge o Monte Everest prá depois despencar feito carrinho de montanha russa. E nem vou escrever de quando chegar a fatura prá pagar. Lembro-me de um comercial, onde o vendedor oferecia um carro 1.0, e dizia que se eu o comprasse seria a pessoa mais feliz do mundo. Parei, pensei e cheguei à conclusão que prá levantar minha autoestima e me “dar felicidade” tinha que ser pelo menos 1.4. Fala sério!!!

Felicidade é um sentimento que não depende de questões exteriores. É uma conquista íntima, sedimentada nos bons relacionamentos intra e interpessoais, na ética, nos valores morais altruístas, na compaixão pelo próximo, no engajamento social (voluntariado), no conhecimento e prática da missão individual, no entendimento da dinâmica da vida, no desenvolvimento de aptidões e talentos, no amor a si mesmo e a vida!

As pessoas que trabalham esse sentimento internamente têm maior engajamento e capacidade de alcançar seus objetivos; relacionamentos mais duráveis, afetuosos e equilibrados; são mais sociáveis e energéticas, consequentemente têm mais amigos; tem o sistema imunológico mais fortalecido, com maior produção de linfócitos; tem resignação dinâmica e produtiva; tem autoestima elevada, pois gostam mais de si e os outros gostam mais delas, sendo também melhores avaliadas. Enfim, são mais felizes e bem sucedidas no amor, na família, no trabalho... na vida.

Pense nisso!!

Até o próximo post!!

 

 

Adilson Costa

18 janeiro 2009

Erros mais comuns


Escrevi no post anterior que tudo que o ser humano faz em sua vida é buscar a felicidade. Ela atua como um combustível que jamais acaba. Não levamos em consideração se o(s) caminho (os) que cada qual trilha é correto, ético, moral ou não. Não nos compete (e, pessoalmente, não tenho mínimas condições para isso) realizar qualquer julgamento.
O que ocorre é que, trilhando esse caminho, vamos cometendo “erros”, seja por falta de experiência, raciocínio, percepção, bom senso.
Vejamos alguns exemplos:
Não saber o que procuramos – - Esse é o maior de todos! Somos “Maria vai com as outras”. Como não sabemos o que ela verdadeiramente é, nos deixamos influenciar por amigos, cultura, moda, família, mídia. Nas varias faixas etárias da nossa vida, temos concepções diferentes acerca daquilo que nos tornaria felizes. Veja um bebê, por exemplo, para se sentir feliz ele precisa estar alimentado, limpo e ter o carinho dos pais. Isso bastaria a ele. Agora pense nele com cinco anos de idade, depois de sofrer a influência educacional, das propagandas de televisão. Será que carinho, alimento e estar limpo bastariam a ele? E quando tiver na adolescência, sofrendo a influência do grupo de amigos que pertence.
Recordo-me de uma propaganda de televisão sobre venda de aparelho celular, na época do dia das crianças. O garoto deveria ter uns 12 ou 13 anos. Seu pai lhe ofereceu de presente a atriz “Karina Bacchi”. Ele prontamente recusou, e disse que queria um aparelho celular de tal marca, pois era isso que seus amigos possuiam. Seu pai, decepcionado, disse que trocaria o presente. O garoto (inimigo do zorro), disse-lhe para deixar o presente que o pai lhe trouxera guardado, pois futuramente ele poderia precisar.
Voltando ao exemplo, qual será a concepção de felicidade que cada pessoa (sofrendo as influências etárias e do meio) pode ter ao longo da sua vida? E a sua hoje qual é? Bom começar a refletir mais sobre isso, pois está depositando toda a sua energia nela!
Já se voltou mentalmente ao passado e pensou: “Como pude acreditar que isso era sinônimo de felicidade”? Dá até vergonha de lembrar!!!
Não saber o que é felicidade – Lembro-me de uma frase atribuída a “Willian Shakespeare”: “Se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar serve”. Não sabemos o que é, onde está e como buscá-la! A conseqüência disso são as escolhas mal sucedidas, precipitadas, ilusões, e as suas conseqüências, as decepções e frustrações. Sentimo-nos infelizes conosco e insatisfeitos com a vida. É nesse momento que muitas vezes as pessoas sofrem um grande conflito interno: a de se sentir infeliz internamente e a de ter de demonstrar externamente que está feliz.
Alguém gosta de viver ao lado de alguém infeliz, insatisfeito, que por conseqüência se mostra reclamão, amargurado, triste, de auto-estima baixa? Então, a pessoa faz um esforço descomunal, gasta quase todas as suas energias para demonstrar aos outros que ela é feliz, bem sucedida em todos os âmbitos da vida. Ah, como ela sofre. Sofre por essa ambigüidade interna e sofre por ter medo de tentar de novo e fazer novas escolhas erradas.
Materializar a felicidade – Perigo! Perigo! Sinal de infelicidade, insatisfação, e na maioria das vezes uma grande frustração!!! Materializar a felicidade significa colocá-la em bens materiais, cargos, pessoas, algo palpável. E tudo o que você pensou é perecível, fica ultrapassado, desgasta, se transforma, muda, perde o valor. São transitórios e efêmeros. Como o ser humano é um ser insaciável, nunca está satisfeito com o que tem você pode imaginar onde isso vai acabar. Buscamos muitas coisas que estão fora das nossas necessidades, são supérfluas e se tornam elefantes brancos em nossa vida. Buscamos outras por capricho, excesso de mimo, fantasias. Deixamo-nos levar pelo marketing da felicidade, onde se associa tudo à felicidade. Compre isso e será feliz. Basta ver os slogans da maioria das grandes empresas do comércio.
Colocá-la em um único lugar – Não estou secando, mas dentro das estatísticas de possibilidades, um sonho, objetivo, meta, tem 50% de chances em dar certo e 50% em dar errado. Se depositarmos todas as nossas energias e expectativas em um único lugar, podemos nos dar mal. Tenha vários sonhos, busque-os, sabendo que pode dar certo ou não. Invista nele com equilíbrio, discernimento e racionalidade. Importante também, enquadrar os nossos sonhos dentro das nossas potencialidades e limites (o autoconhecimento é indispensável). Por modismos, questões financeiras, sonhamos ser engenheiros, mas não gostamos de matemática. No colégio só tomávamos bomba e ficávamos para recuperação. Fica difícil, certo?
Colocar a felicidade em pessoas – Isso serve para família, filhos, esposa, marido e o (a) futuro (a) marido ou esposa. Ninguém pode te fazer feliz a não ser você mesmo, mais ninguém! Se assim fosse, uma pessoa solteira ou sem filhos não poderia ser feliz? Se esta pessoa que amamos morrer (e um dia ela irá morrer), seríamos infelizes o resto da vida? Se por algum motivo a relação fracassar, como ficaríamos? Ao fazermos isso nos tornamos dependentes da outra pessoa, perdemos nossa liberdade, vivemos de migalhas. O filósofo Montaigne muito sabiamente expôs que... “é digno de piedade quem depende dos outros”; Horácio, outro filósofo, completa a sentença esclarecendo que... “todas as esperanças estão em mim”.
Isso não quer dizer que as conquistas dos filhos, seu amor e carinho, assim como do “nosso amor”, não nos tornam mais felizes, ao contrário, quero dizer, que temos que sonhar e buscar nossos próprios sonhos de felicidade, conhecer e desenvolver nossos potenciais, criar e realizar nossas idéias, aprender coisas novas. Se não realizamos sonhos pessoais que independem dos outros não conseguimos ser verdadeiramente felizes, pois estamos nos anulando, despersonificando. Às vezes até nos enganamos que somos felizes.

Pense nisso!!!
Até o próximo post.
Adilson Costa

01 janeiro 2009

Primeiras reflexões

O ponto principal para buscarmos aplicar a vivência da felicidade em nossa vida, primeiramente é saber o que é felicidade.
E o que é felicidade? Essa resposta tem ao longo do tempo padecido inúmeras mudanças e transformações, fruto de idéias e crendices humanas, que acompanham a evolução, tanto do pensamento, quanto do conhecimento humano.
São milhares de receitas, idéias, pesquisas, contradições, estudos científicos, que ao longo dos séculos (registros marcam que o debate sobre felicidade iniciou-se com o filósofo Aristóteles, há 2400 anos atrás), tem “servido” como base para melhor podermos compreendê-la e senti-la.
Se você inserir a palavra felicidade no “Google”, aparecerá cerca de 13.100.000 links para pesquisá-la Há centenas de livros que falam sobre o assunto, com receitas infalíveis em todos os âmbitos da vida humana.
É interessante observar que tudo que o ser humano faz na vida é buscar a felicidade. Mesmo que de forma inconsciente, essa ação é o que lhe move, como um combustível que jamais acaba. Por exemplo, a felicidade do corrupto é passar os outros para trás e receber sua propina; a do ladrão é roubar, a do professor é alfabetizar, ensinar; a do pintor é ter reconhecimento na sua obra. Mesmo uma pessoa que se suicide está buscando a sua felicidade. Sua vida está de tal maneira (para ela) insuportável, insolúvel, e acredita que tirando sua vida será mais “feliz” do que vive no momento.
Não saber o que é felicidade, como alcançá-la, e buscá-la em lugares errados são hoje um dos principais fatores do aumento, crescente e excessivo das chamadas doenças contemporâneas, as doenças psicológicas, das fobias, síndromes e depressões, fruto, principalmente, dos quadros de ansiedade e conseqüente frustração por não se sentir feliz.
Esse é outro ponto a ser diluído: os paradigmas que temos sobre felicidade. Os dogmas, as verdades absolutas que norteiam nossa caminhada e nos impulsionam a agir desta ou daquela maneira, e filtram nossas escolhas para tentar alcançá-la.
Ao longo de nossos encontros, entre outras abordagens, iremos expor o que é a felicidade, alguns dos caminhos equivocados que a humanidade tem seguido, evidenciando pesquisas atuais que demonstram tal engano, já que nos últimos séculos, a felicidade vem sendo utilizada como um dos principais parâmetros para “medir” o sentido da vida humana. Áreas científicas como a psicologia, psiquiatria, biologia, neurociência, sociologia, tem (ainda bem) diluído diversos paradigmas e revirado o tema do avesso, mostrando as atitudes que nos levam a compreendê-la, senti-la, aumentá-la e estendê-la.
Até a próxima postagem.
Pense nisso.

Receita para a beleza interior

1 – Faça várias cirurgias plásticas: uma para corrigir o nariz empinado pelo orgulho e pela soberba; outra na correção da língua venenosa e ardilosa e nos lábios que demarcam sua tristeza interior;


2 – Drenagem linfática para retirar o orgulho, a inveja e a ingratidão;


3 – Lipoaspiração no egoísmo, no narcisismo e na hipocrisia;


4 – Diversos peelings profundos na culpa e no remorso;


5 – Faça uma dermo esfoliação nas cicatrizes deixadas pela falta de perdão e pelo ódio, assim como no rancor envelhecido;


6 – Uma máscara facial para retirar as expressões de mágoas e ressentimentos, igualmente nas asperezas da insensibilidade no trato com as pessoas. Depois complete com uma hidratação de sorriso e a alegria;


7 – Hidrate suas mãos todos os dias com a prática da solidariedade e da caridade;


8 – Coloque lentes coloridas da misericórdia e da paciência, iluminando seu olhar;


9 – Realize um implante de entusiasmo e atitude positiva;


10 – Turbine sua humildade e o desinteresse por questões materiais;


11 – Use botox para esticar a esperança e a fé;


12 – Realce o cabelo com luzes da consciência tranqüila e da paz de espírito; e


13 – Finalize com uma hidromassagem, usando sais da generosidade e pétalas da tolerância, que é bom para o coração e a alma.


Obs.: Esses ingredientes não são encontrados nas melhores lojas do ramo. Estão dentro de você!


Pense nisso!

Felicidade, construa-a!

Felicidade deixa de ser algo transitório ou efêmero, quando compreendemos que não podemos materializá-la, ou seja, colocá-la em bens materiais, dinheiro, beleza, promoções, pessoas, relacionamento.
Ela se torna um real sentimento ao vislumbrarmos que devemos realizar investimentos diários de amor, altruísmo, solidariedade, fraternidade, fé, alegria, esperança, resignação.
Felicidade é um sentimento íntimo de harmonia nos relacionamentos intra e interpessoais e com o meio em que se vive.
Estar feliz é compreender a dinâmica com que a vida se processa internamente, favorecendo o amadurecimento e a renovação da compreensão do verdadeiro sentido da vida humana e os reais valores que devemos eleger, para que ela brote mesmo na maior dificuldade da vida.
Um mundo mais justo e humano, igualitário e pleno de felicidade, deve nascer primeiro em nosso coração, independente se ele ainda não brotou no coração do outro.
Talvez o que falte é que o irriguemos com o nosso amor, nossa justiça, nossa igualdade, nossa paz, nosso altruísmo, nossa empatia, nossa aegria e felicidade.
Pense nisso!